segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Diário de uma jornada - Inesperadamente
Não tenho diário. Nunca tive. Tenho anotações, várias e dos mais variados temas e interesses possíveis, evoluindo desde uma simples atração por árvores até uma grande paixão por viagens. Em sua maioria, são apenas observações. Revirando-as curiosamente encontrei três palavras que, ainda que somente em meu imaginário, interligavam-se. Ásia, clausura e resposta. Porque? Parecem palavras retiradas aleatoriamente de lugar algum. Entretanto, eu podia ver algo mentalmente e pressentia que havia uma relação eu diria simbiótica entre elas, porque era assim que eu queria ver. Elas juntas começavam a fazer sentido. Poderia ser um sinal. Finalmente consegui absorver o real significado daquilo. Era uma coisa que vinha de muito tempo atrás, porém eu não enxergava a possibilidade de admiti-la. A busca pelas respostas. Estava insatisfeito. Precisava delas. Preciso. Mas por onde começar? a quem procurar? Finalmente tive o insight. Pensei que nunca teria a chance de experimentá-lo. Foi em um sonho que me vi olhando as anotações. Porque não olhar de fato? Os sonhos, eventualmente, podem significar muito. Era a busca. Seria a busca, logo depois. O caminho seria longo, extremamente longo. Mas teria que ser percorrido por mim, sozinho com as batalhas ideológicas que digladiavam nas profundezas da minha mente. Era assim que eu, sozinho, aprendi e acreditava que deveria ser feito. O único capaz de encontrar o caminho correto neste caso era eu mesmo. Qualquer outra influência humana poderia ser um obstáculo, uma interferência para alcançar a verdade pura e sublime. Pessoas são influenciáveis, por mais que isto seja negado. Certa vez li sobre um sacerdote indiano que disse "o bem e o mal tem de estar sempre juntos para que o Homem possa escolher e a mente é o campo de batalha entre os dois". Poderia modificar a estrutura simbólica deste pensamento através da filosofia Yin-Yang, de energias opostas. No lugar de bem e mal, diria verdade e mentira. Este era o meu caso. Elas estavam juntas, batalhando incessantemente no meu Coliseu mental. Contudo, a escolha não era tão fácil. Como escolher, se os dois lados parecem verdade e mentira simultaneamente? Estava tudo pronto àquela altura. Sabia onde iria primeiro. Ou pelo menos achava. À quem contei, restou a perplexidade. À quem não contei, a dúvida de onde eu poderia estar. Surabaya, Indonésia seria meu destino naquele momento porque, algumas semanas antes, havia conhecido através da internet um jovem sujeito chamado Dob, extremamente simpático, amigável e hospitaleiro ainda que virtualmente. Deixou claro em nossas longas conversas que eu seria muito bem recebido em sua casa quando decidisse ir para aqueles lados. Sua família tinha conhecimento de minha ida e segundo o próprio Dob, estavam realmente empolgados em receber alguém do Ocidente em sua casa. Desejo salientar que, a busca que inicio não tem ligação alguma com o fato de "conhecê-lo". É apenas mera coincidência. Maravilhosa coincidência. A minha porta de entrada na Ásia seria sua hospitalidade. Havíamos combinado que ele me esperaria no aeroporto em sua cidade. Todos ficaram assaz perplexos que eu estivesse indo tão inesperadamente para um destino que apesar de existir fisicamente, era incerto. Parti, com um mapa impresso detalhado da Ásia no qual, futuramente faria diversas anotações, traçaria rotas e travessias. Estava dentro de uma grande mala que também dava abrigo às minhas roupas, incluindo poucos casacos porque, afinal, a Ásia guarda para os visitantes um clima bastante agradável. Roupas, livros, produtos pessoais...Acabava de ficar para trás um caminho repleto de dúvidas, desconfianças, preocupações e, porque não, despedidas. Ficaram todos para trás. Somente eu seguia em frente: eu estaria comigo mesmo. Nada me impediria. Cheguei em São Paulo para a conexão para Doha, vindo do Rio de Janeiro. Tinha quatro horas de espera pela frente até o embarque. Equanto estava na fila do check-in imaginava se outra pessoa dentro daquele aeroporto também poderia estar partindo em busca de respostas, assim como eu. Se alguma delas já as tivesse obtido. Ou se eventualmente alguém não precisasse delas, o que parece ser improvável. Todos precisam de uma resposta. Sentei-me em um banco ao lado de um senhor que dormia e roncava. Eu fitava aquele intenso movimento de pessoas, em passos apressados pelo saguão, executivos ao celular, famílias numerosas, e eu ali, solitário, naquele momento começando a me dar conta: onde eu pensava que estava indo? Não podia desistir. Faltava muito pouco. Ou simplesmente faltava muito. Eu poderia passar meses, anos sem a resposta, poderia estar adentrando uma jornada insignificante e precipitada. Isto não era, porque tinha a sensação que o momento era aquele. A busca por uma resposta nunca pode ser adiada, do contrário o ser se aprisiona em uma jaula de dúvidas que se acumulam até que se perca totalmente o controle sobre elas, criando uma barreira cada vez mais densa entre a verdade e a mentira. Mas como poderia pensar insignificante? Toda jornada vale a pena, não importa o destino. O que importa é a caminhada, a busca. Essa era a idéia. Não tinha muito dinheiro, apenas o suficiente de acordo com o que eu acreditava. Não iria desistir. O velho homem resmungava dormindo ao meu lado. Faltava pouco para as três da manhã em São Paulo e o vôo ja havia sido anunciado. Levantei-me e, agora a ansiedade me atingia assustadoramente. Seria um sinal de fraqueza? Uma previsão de covardia? Se fosse, era mais um motivo para seguir adiante com tudo aquilo. Estava indo para um destino onde não conhecia ninguém de fato, onde não havia estado antes, e sem nenhum guia...Deus era o guia. Aliás, Ele é o motivo de minha jornada.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Hot Temperatures!
Quem disse que verão nos Estados Unidos não é quente? Na verdade, a onda de calor que atinge os EUA neste verão é um dos assuntos mais falados na tv. A região mais afetada é a centro-sul e nordeste. Alguns dizem que a praia do novaiorquino por exemplo é o gramado do Central Park...mas eu diria que as fontes, como a do Washington Sq por exemplo são bem mais refrescantes. Pelo menos é onde muitas crianças e adultos vão nos dias mais quentes, como os 40°C de uma certa segunda-feira. Mas não há com que se preocupar, principalmente os turistas brasileiros, que já estão mais do que acostumados. O fato é quando chega a 30°C, já está quente para os americanos. Na Philadelphia em um certo fim de semana, aproximadamente à uma hora da tarde, experimentava-se 41°C, com sensação bem maior. Para amenizar as altas temperaturas alguns parques, clubes de golfe e praças disponibilizam enormes vaporizadores de ar frio para as pessoas se refrescarem. Mas o verão também traz tempestades. Muitas delas surgem semanalmente, alguns furacões se formam no Golfo do México e partem para o sul dos EUA, tornados varrem a região central do país desde Minnesota, Wisconsin e North Dakota até Mississippi, Texas; região conhecida como "corredor dos tornados". Os céus mostram suas potenciais nuvens negras, soprando suas ventanias dando a sensação de que vai desabar a qualquer momento. Realmente assustador, principalmente quando se está passeando de bicicleta pelas ruas da Philadelphia, faltando algumas milhas para se chegar em casa! ou quando se está passeando com o cão: pobres coitados, cão e dono. Ou quando sua avó te manda ao supermercado e você decide ir a pé porque o dia está ensolarado, faz as compras calmamente sem ver o que está se formando do lado de fora e quando sai, cheio de sacas nas mãos, não vê saída em meio as nebulosidades negras que se acumulam nos céus sobre sua cabeça, anunciando o dilúvio que está prestes a chegar: o metrô não chega até em casa, o ônibus não passa lá também, onde estão os taxis? estou a pé, nem de bicicleta! já imaginou? Pois é. E depois, em casa, você espera ansiosamente por uma previsão sem tempestades, no Today Show e...a "musa do tempo" fica presa no elevador à caminho do estúdio. Imprevistos acontecem até com aqueles que tentam ajudar para que você não seja surpreendido por um. Na verdade, tudo depende de estratégia. Até um passeio em um dia de verão.
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